Guia Sem Pânico: Viajar sem dinheiro

É muito comum as pessoas associarem viagens com gasto de dinheiro, mas a verdade é que o ato de viajar nada mais é do que viver uma experiência e tem valor intangível. A sua viagem pode ser cara, barata e até grátis!

Você, definindo prioridades e se organizando bem direitinho conseguirá fazer o que quiser, inclusive viajar! Duvida? Continua lendo que vou te provar!

  Planejamento

Pesquise. Não importa se sua viagem será no melhor estilo independente (que recomendo fortemente, sempre) ou prefere comprar pacotes de agências de viagens (que pode, sim, ser uma opção mais econômica em alguns casos). Se você quer economizar, precisará pesquisar tudo – tudo mesmo – e com antecedência.

Faça uma lista de todos os lugares que chamam a atenção em seu destino.  Anote as informações mais relevantes (horários de funcionamento, proximidade dos locais, melhores hospedagens,se é melhor comprar ingressos na hora ou com antecedência, e outras dicas de viajantes) que quando você for fazer o roteiro precisará consultar essas informações.

Vai dar trabalho, sim, mas vai valer a pena.

Defina o objetivo da sua viagem

Mais um exercício de auto conhecimento é reconhecer suas reais intenções e vontades diante da viagem. Será que você quer se isolar com o mozão para gerar mais interação entre vocês? Ou quer mesmo reunir os amigos mais divertidos em uma casa e tocar o terror? Ou ainda, acha que está precisando mesmo de um momento sozinho, numa rotina só sua?

A partir dessas características de autoavaliação você saberá: o tipo de local você deseja conhecer (praia ou montanha, cidade pequena ou grande metrópole), o que te atrai naquele local (esportes radicais ou descansar na rede, atrações gastronômicas ou de pontos turísticos), quais e quantas companhias você deseja ter durante a viagem, se fará tudo por conta própria ou vai contratar uma agência, etc.

Já tem um destino certo, ou não faz a menor ideia de onde quer ir? Para a escolha do lugar você precisa estar ciente da energia que esse lugar promove e, consequentemente, as pessoas que atrai. Se você não gosta de cidades lotadas de pessoas, por exemplo, o que vai fazer em Salvador (BA) em pleno carnaval? Se você é uma pessoa mais urbana,  passaria as férias no Pantanal? Entenda: sempre vou encorajar você a experimentar coisas diferentes, não é para se fechar na caixinha, não! Essa dica é para você saber o que esperar de cada escolha que terá que fazer durante o planejamento.

 Elabore um roteiro

Pensar no roteiro é fazer escolhas. Não dá para fazer tudo com os fatores limitantes de tempo, dinheiro e até mesmo de suas vontades pessoais.

Você sabe o que esperar do lugar (pesquisa), sabe o que deseja da viagem (objetivos), agora precisa analisar os dados que obteve e estabelecer suas prioridades. Defina o que quer conhecer por ordem de prioridade, assim fica mais fácil cortar e acrescentar lugares e coisas para fazer de sua lista. Se quiser, e achar que dispõe de tempo o suficiente, pense em outros lugares próximos do seu destino oficial para esticar um pouquinho a viajem.

caminhoz_economizar andando a pé

Deslocamento: Vai de ônibus, van, táxi ou tour local? Vale a pena ir a pé? Essas perguntas precisam ser respondidas desde a elaboração do roteiro. É bom estudar um pouco o mapa da cidade e verificar as distâncias entre um ponto e outro para estabelecer os pontos turísticos em grupos regionais, evitando deslocamentos desnecessários.caminhoz_viajar e economizar andando a pé

Normalmente gosto de ter tempo o suficiente para caminhar pela cidade. Enriquece minha experiência e economiza meu dinheiro; mas cuidado com economias burras: às vezes é melhor dividir um táxi a andar a pé.

Hospedagem: Hostels fazem parte do primeiro pensamento quando pensamos em economizar na hospedagem, mas não se engane. Muitas vezes hotéis e pousadas apresentam uma diária mais barata do que os hostels (albergues mais estruturados). Portanto, com base no estilo de sua viagem, escolha sua hospedagem considerando o valor da diária, mas também os serviços nela oferecidos (custo X benefício).

  • Hostels são tipos de hospedagens que permitem maior integração com as pessoas (quartos compartilhados e áreas de convivência), e dispõem de cozinhas para uso dos hóspedes. Alguns hostels possuem os mesmos serviços e estrutura física que os hotéis;
  • Hotéis possuem quartos mobiliados com banheiros privados e serviços específicos fora e dentro do quarto, que enriquecem a experiência da hospedagem;
  • Pousadas são menores e mais aconchegantes que os hotéis, normalmente com administração familiar;
  • Campings são loteamentos que podem ser estruturados ou não, apresentarem cozinha e banheiros comunitários ou não, oferecerem aluguéis de equipamentos ou não, onde você pode montar sua barraca por um tempo determinado;
  • Aluguéis em residências também são uma opção. Você pode pagar um quarto ou até mesmo uma casa inteira pelo Airbnb.

*tentei classificar os tipos de hospedagens por suas diferenças, mas existem interseções entre suas características. O ideal é pesquisar o estabelecimento de forma individual.

Gastos com comida: A dica principal sobre economizar na alimentação é fazer sua própria comida. Verifique no seu serviço de hospedagem se é permitido o uso da cozinha e faça compras no supermercado, que você vai economizar muuuiito! Portanto, pesquise se o lugar que deseja conhecer tem infraestrutura comercial (mercadinhos e vendas) ou se você precisará levar alguns itens de casa.

Agora, é possível fazer um meio termo, para o caso de não querer esquentar a barriga no fogão em sua viagem de lazer, certo?! Busque restaurantes e lanchonetes onde os moradores costumam frequentar e compre os lanchinhos, bebidas e supérfluos no mercado local.

Mas seu dia está super corrido e tempo é um recurso valioso para você, capriche no café da manhã oferecido pelo seu serviço de hospedagem, coma para valer, como se amanhã estivesse programado o apocalipse. Assim, a fome do almoço deverá vir bem mais tarde do que o habitual e você fará menos refeições, com mais quantidade qualidade.

Economize no principal

A gente já trabalha tanto, vive o dia a dia com o mínimo necessário pensando no futuro financeiro, que viajando queremos curtir, simplesmente aproveitar o momento e descansar a mente… mas, calma! Da mesma maneira que devemos tomar cuidado com economias burras, não podemos nos descontrolar e sair por aí fazendo aviãozinho de notas de cem.

Mas como medir isso? Não adianta eu te falar para não gastar demais em comida, se isso for um enorme prazer para você. Para mim, não importa muito o tipo de acomodação, por exemplo, mas já viajei acompanhada de pessoas que se incomodavam com desconforto e pagamos mais por isso. Então, elabore prioridades, negocie consigo mesmo e tome decisões inteligentes. O segredo em fazer a sua experiência ser incrível sem ter que voltar para a casa cheio de dívidas é a moderação 😉

Busque informações no local

Você reuniu um monte de informações em pesquisas online e acha que está preparado para tudo? Não se engane, em todos os lugares (principalmente destinos turísticos) existem informações e serviços para viajantes e outras que só os moradores do local sabem e adotam. Procure conversar com as pessoas quando chegar para saber os melhores trajetos para locomoção, os melhores lugares para comer, um evento itinerante que não fora divulgado, o melhor horário para fazer tal passeio, e outros detalhes que você só saberá quando chegar lá. Não tem jeito. E isso é bom! Imagina se viver a história fosse igual a ler sobre ela? Vivê-la é muito mais complexo e gostoso, por ser particular.

Então, separe os primeiros momentos da sua chegada ao destino para reconhecimento do local.

  Redefina seus padrões de exigências (e frescuras)

Existe, sim, um lado nada glamouroso nas viagens de gente como a gente (se você não for rico). A cabeça de quem se dispõe de sair da sua própria zona de conforto deve ser aberta e flexível.  Porque para ir, na cara e na coragem, a um lugar onde não conhece ninguém, não sabe como se locomover e nem se tudo o que planejou dará certo, tem que se concentrar no lado positivo das coisas e saber reagir bem aos pontos de desconforto.

Não adianta, que isso você não define sem experienciar. Mas fica tranquilo que vai acontecer naturalmente durante sua vivência como viajante. Viajar sem dinheiro me fez descobrir mil qualidades em mim, nos outros e nas coisas da vida: valorizar o momento e seu tempo e suas companhias acima das coisas materiais; dedicar-me ao caminho mais árduo mesmo quando o único motivo dessa escolha está em poder tornar a minha experiência mais autêntica; saber que preciso de muito menos do que tenho (mesmo quando tudo o que tenho cabe em uma mochila. Mas isso é assunto para outro dia.


Conta para mim sobre suas experiências nos comentários. Já passou por perrengues curiosos/engraçados/que te fizeram evoluir? E pra você, viajar com pouca grana vale a pena?