Como chegar, o que fazer e dicas sobre a sagrada praia de Martim de Sá, Paraty (RJ)

Uma das praias mais acolhedoras de Paraty é, sem dúvidas, a Praia de Martim de Sá.  Essa praia com grande faixa de areia clara e fina e mar limpo e transparente pertence é a casa de uma família caiçara que protege e cuida do local. A boa notícia? Eles recebem visitas!

⚑ Praia de Martim de Sá: -23.3033, -44.55254

Esse pedacinho de paraíso está localizado na península que fica entre Paraty e Trindade, na Reserva Ecológica da Juatinga, Área de Proteção Ambiental (APA). O local abriga mata nativa e sofreu pouquíssima intervenção humana. Se você quer fugir da confusão dos grandes centros encontrará a paz da natureza que existe em Martim de Sá.

Final de tarde na praia

Desconecte-se. Sinta o lugar. Martim de Sá, logo na chegada (seja por mar ou terra) surpreende. Nada do que eu escrever aqui poderá mensurar o poder deste lugar. O mar é excelente para os surfistas, com ondas que dá para brincar. A areia é fininha, branca, e com boa extensão. Entrando na mata você descobre toda uma estrutura para quem quiser acampar, ou até mesmo passar  o dia. Existe banheiros, chuveiros com água doce, cozinha equipada com um fogão a lenha e até restaurante e lanchonete.

Mas não se engane. Por sua localização, chegar lá não é para todos. Ou você encara 2 horas de barco ou alguns dias de trilha (passando por outras praias maravilhosas). Além disso,  lá não tem sinal de celular, muito menos energia elétrica livre (o gerador fica ligado até às 22h e só é usado para coisas pontuais).

O local do camping é protegido pelas árvores

Martim tem uma energia especial, mas você deve merecê-la. Em locais como este, preservados, o visitante deve se encaixar em um perfil de respeito, civilidade, cordialidade, amor à natureza e ao próximo e sabedoria. Aliás, em todos os lugares o visitante deveria se comportar como se estivesse “na casa dos outros”. A sorte de Martim de Sá é ser lar de uma família encantadora que sabe receber pessoas, mas direcionar limites do lugar: a família do Sr. Maneco.

  Atrativos, mais

Seu Maneco tem alguns itens recreativos e adora emprestar. Quando estive lá vi o empréstimo de uma prancha de surfe e aproveitei do empréstimo de uma canoa ♥♥

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Para os mais dispostos é possível conseguir traslados com barqueiros para outras praias da região. E os mais dispostos  ainda [!!!] podem percorrer pelas trilhas (indico Sumaca, Pouso de Cajaíba, Praia de Caiçuru das Pedras e Itanema).
Para ter uma noção da transparência desse mar

Junte uma turma e promova um luau na praia. Se gosta de pescar, aventure-se no mar ou nos rios. Se tem snorkel aproveite a água transparente e a rica vida marinha da região (leve sua câmera waterproof).

Cachoeiras

No final da praia, a direita de quem está de frente para o mar, existe um rio (10 minutos do camping) que proporciona banhos deliciosos e um bom descanso ouvindo o barulho da água batendo nas pedras.

 Rio de Martim de Sá (não sei o nome oficial): -23.30381, -44.55667

Há duas cachoeiras nas cercanias da praia. A cachoeira do Escorrega fica cerca de 15 minutos do camping de Martim de Sá. O acesso à trilha é feito por trás do camping, atravessando o rio (caminho de pedras) e adentrando pela floresta em um caminho fácil e bem sinalizado.

A cachoeira do Poção de Martim de Sá fica no mesmo caminho da Cachoeira do Escorrega. No total dá 20 minutos do camping. É mais profunda e proporciona saltos divertidos. É possível praticar slackline por ali.

Mergulho revigorante na cachoeira do Poção

Pico do Miranda

Vista deslumbrante. O esforço é altamente recompensado pelo visual que tem quem conquista o cume (670 metros de altitude). A trilha é a mesma que leva à Pouso de Cajaíba. Fique atendo à bifurcação (sinalizada).

  Os donos da praia

Martim de Sá é lar de uma família que protege, cuida e vive por ali há mais de cinquenta anos. O patriarca e mais famoso membro da família, “Seu” Maneco, recebe a todos com orientações sobre a região e mil histórias cheias de sabedoria (♥) sobre sustentabilidade, ideologia de busca à simplicidade, críticas a valores materiais e adoração à natureza. E ele quem abriu as trilhas que levam às cachoeiras e praias vizinhas “no facão”. Todo visitante sai de lá deslumbrado e grato a ele por manter o local tão preservado.

Foto com o rei da praia

O terreno é realmente grande e Seu Maneco permite que visitantes acampem e, apesar de Seu Maneco preferir a simplicidade, vem atendendo à demandas das inúmeras visitas que recebe regularmente, com investimento em infraestrutura*. A vegetação oferece sombra abundante e você pode escolher montar barraca bem de frente para o mar.

O lixo é reunido e carregado de barco até Paraty. Estive lá em alta temporada com a praia lotada e o barco passava por lá todos os dias de manhã (não sei como funciona com a praia menos cheia, mas é certo que a família do seu Maneco gerencia isso muito bem). De qualquer forma, sempre que puder procure levar seu lixo de volta contigo.

*  entenda: infraestrutura para um local de morada de caiçaras, sem pousadas, sinal de internet ou energia elétrica.

  Regras da casa

Seu Maneco administra o camping muito bem e preza pelo conforto e pela segurança de todos. Se você gostou da praia e deseja conhecer, considere o lugar um tempo e sua experiência um retiro, assim facilita o entendimento das regras como não falar palavrão e não consumir bebida alcoólica. Digo isso pois sei que para muitas pessoas isso pode parecer absurdo, mas fazer esse exercício pode ser ótimo. Acredite! E há uma justificativa: usar de palavras negativas naquele lugar soa mesmo como um pecado, e estar embriagado te dispersa do prazer de simplesmente estar ali.

Um pedaço do terreno do camping

Mais uma vez, esse cenário maravilhoso é o lar de uma família. Eles permitem a prática de camping em seu quintal, mas você é um mero convidado. Respeite a cultura caiçara. Respeite a casa dos outros.

Outras regras: proibido usar drogas, proibido deixar louça suja, proibido falar alto ou tocar instrumentos musicais perto da casa e das barracas, se quiser fazer barulho dirigir-se à praia, etc.

Além das regras de convivência, lembre-se de que a praia está em uma Área de Preservação Ambiental, portanto há lotação máxima de pessoas, é acampar na praia, é proibido caçar animais silvestres, é proibido destruir ou danificar a flora ou causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos a saúde humana, entre outros.  Então sempre que for visitar uma APA certifique-se de seus deveres para não responder a um crime ambiental de bobeira :flushed::flushed:😓

  Coordenadas

  Como chegar

Essa praia pertence ao município de Paraty (Rio de Janeiro).  Estando em Paraty há 3 opções para chegar a Martim de Sá, e eu separei por níveis de dificuldade:

Nível 1: No cais de Paraty ou Paraty-Mirim, pegar um barco direto para Martim de Sá (R$50 por pessoa, 2h).
Nível 2: No cais de Paraty ou Paraty-Mirim, pegar um barco até Pouso do Cajaíba e fazer uma trilha (1h30) para Martim de Sá (R$25/pessoa, 1h20);
Nível 3: De Paraty-Mirim seguir em travessia apé, de aproximadamente 3/4 dias, passando por várias praias.

Veja como chegar até o cais de Paraty-Mirim de carro.

* os preços e duração de viagens podem variar

  Outras dicas

  • Verifique as condições do tempo antes de ir, pois com o “mar virado” fica perigoso e não sai barco para lá;
  • O porto de Paraty-Mirim costuma oferecer menos opções de embarcações, mas pode bem ser mais barato;
  • Se você vai de carro, estacione no porto de Paraty-Mirim (há estacionamento seguro que cobra diária);
  • As embarcações só saem do porto com lotação mínima (para valer a pena para o barqueiro), então pode ser que você tenha que fazer uma “conexão” em outra praia e encarar uma trilha “brabona” para chegar a Martim;
  • Negocie com os barqueiros e pesquise a melhor opção, pode conseguir economizar tempo e dinheiro;
  • Opte por barco com teto (sombra bem vinda) e capriche no protetor solar;
  • As embarcações não conseguem estacionar nas areias de Martim, talvez seja necessário pegar um barquinho da embarcação principal para desembarcar na praia. É cobrado R$10 pelo serviço.
  • Se pretende apenas passar o dia e retornar para Paraty saia bem cedo para aproveitar o máximo de tempo possível. A viagem até Martim é cansativa e extensa;
  • É altamente recomendável evitar feriadões e finais de semana em época de alta temporada, pois além de não ser tão agradável, os guardas da APA impõe lotação máxima e talvez de você não consiga permanecer na praia;
  • A estadia no camping  é acertada na entrada (check-in);
  • Há banheiros femininos e masculinos limpinhos. O banho é frio;
  • Nos banheiros, até então, não tem luz elétrica. Então leve lampião se quiser tomar uma ducha pós pôr do sol;
  • Há restaurante com uma comidinha caseira deliciosa e baratinha;
  • Pelo amor! Leve dinheiro em espécie. Seu cartão de plástico não terá utilidade alguma por lá.

O que mais levar?

Não dispense barraca, lona, remédios de uso pessoal, roupas leves, toalha, lanterna, itens de cozinha (fogareiro, panela, prato, talheres, etc), protetor solar e repelente. Se você tem snorkel, aproveite para usar.

Verifique o as dicas de tudo sobre Trilhas e principalmente o dicas com tudo sobre de Acampamento para listas completas do que levar e o que comer. Faça o checklist para não esquecer de nada e leve apenas o necessário.